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Confiança e autoestima: por que você se diminui tanto?

· 6 min de leitura · Flavia Bernardo (CRP 06/104160)

Muitas pessoas competentes vivem com a sensação de que não são boas o bastante. Recebem elogios e desconfiam deles, evitam se candidatar a oportunidades e se comparam o tempo todo. Do lado de fora, parece modéstia. Do lado de dentro, é um desgaste diário.

Crenças centrais: a lente pela qual você se vê

Aaron Beck, criador da Terapia Cognitivo-Comportamental, propôs que interpretamos o mundo a partir de crenças centrais — ideias profundas sobre nós mesmos, os outros e o futuro, formadas principalmente na infância e na adolescência. Judith Beck descreve três grandes grupos dessas crenças sobre si: de desamparo ('sou incapaz'), de desamor ('não sou amável') e de desvalor ('não tenho valor').

Essas crenças funcionam como óculos: filtram o que você percebe. Um erro pequeno vira prova de incompetência; um acerto vira sorte. Melanie Fennell, pesquisadora da Universidade de Oxford, mostrou como esse ciclo sustenta a baixa autoestima: a pessoa antecipa o fracasso, se protege evitando ou se esforçando demais, e nunca chega a testar se a crença é verdadeira.

Sinais de que a confiança está abalada

  • Desqualificar conquistas: 'qualquer um faria isso'
  • Dificuldade de dizer não ou de discordar
  • Preparar-se em excesso por medo de ser descoberta como 'insuficiente'
  • Comparar-se constantemente com colegas, amigas ou desconhecidos nas redes
  • Evitar exposição, promoções ou conversas importantes

Como a psicoterapia trabalha isso

Na TCC, o primeiro passo é identificar os pensamentos automáticos que aparecem nas situações difíceis e entender a que crença eles se ligam. Depois, examinamos as evidências a favor e contra essa crença, construímos uma visão mais realista e testamos novos comportamentos na prática. A Psicologia Positiva complementa esse trabalho ao ajudar você a reconhecer suas forças pessoais — aquilo que já existe e costuma passar despercebido.

Referências

  1. Beck, A. T. (1976). Cognitive therapy and the emotional disorders. International Universities Press.
  2. Beck, J. S. (2022). Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática (3ª ed.). Artmed.
  3. Fennell, M. J. V. (1997). Low self-esteem: a cognitive perspective. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 25(1), 1–26.
  4. Peterson, C., & Seligman, M. E. P. (2004). Character strengths and virtues: a handbook and classification. Oxford University Press / APA.

Este conteúdo é informativo e não substitui atendimento psicológico individual. Se você está passando por sofrimento intenso, buscar apoio profissional faz diferença.

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