Autocompaixão não é fraqueza: como parar de se tratar como inimiga
· 5 min de leitura · Flavia Bernardo (CRP 06/104160)
Muita gente acredita que, se for gentil consigo mesma, vai se acomodar. Por isso mantém uma voz interna dura, que critica cada falha. O problema é que essa voz não costuma motivar: ela gera medo, vergonha e cansaço.
O que é autocompaixão
A psicóloga Kristin Neff, da Universidade do Texas, define a autocompaixão a partir de três componentes:
- Gentileza consigo mesma: tratar-se com compreensão em vez de julgamento severo
- Humanidade compartilhada: lembrar que errar e sofrer faz parte da experiência humana, e não é um defeito só seu
- Atenção plena (mindfulness): reconhecer a dor como ela é, sem exagerá-la nem ignorá-la
Autocompaixão não é autopiedade
Pesquisas de Neff e colegas associam a autocompaixão a menos ansiedade, menos ruminação e maior disposição para tentar de novo depois de um erro. Ou seja: ela não elimina a responsabilidade, mas troca a punição por aprendizado. Também é diferente da autoestima, porque não depende de ser melhor que os outros para se sentir bem.
Relação com a TCC
Na Terapia Cognitivo-Comportamental, a autocrítica intensa aparece em forma de pensamentos automáticos como 'eu deveria ter dado conta' ou 'sou um fracasso'. Questionar esses pensamentos e responder a eles com uma voz mais justa e acolhedora é um dos caminhos para reduzir a ansiedade e prevenir o esgotamento.
Um exercício simples
Na próxima vez em que se criticar, pare e pergunte: o que eu diria a uma pessoa querida nessa mesma situação? Escreva essa resposta e leia para si. Parece pequeno, mas repetido ao longo do tempo muda a forma como você se relaciona com os próprios erros.
Referências
- Neff, K. D. (2003). Self-compassion: an alternative conceptualization of a healthy attitude toward oneself. Self and Identity, 2(2), 85–101.
- Neff, K. D. (2017). Autocompaixão: pare de se torturar e deixe a insegurança para trás. Lúcida Letra.
- Beck, J. S. (2022). Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática (3ª ed.). Artmed.
Este conteúdo é informativo e não substitui atendimento psicológico individual. Se você está passando por sofrimento intenso, buscar apoio profissional faz diferença.